No centro dessa renovação está a piscina, talvez o cenário mais reconhecível do Copacabana Palace. O desenho do fundo foi substituído por formas curvas inspiradas nas águas do Atlântico, rompendo com a geometria rígida que predominava anteriormente. Ao longo de sua história, o espaço recebeu hóspedes ilustres, entre eles a princesa Diana e a cantora Janis Joplin. (Imagem: Belmond/Divulgação)

Copacabana Palace reinventa o Edifício Piscina e abre novo capítulo de sua história centenária

piscina do copacabana palace hotel
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EDIFÍCIO PISCINA

Quase oito décadas depois de sua construção, o Edifício Piscina se prepara para voltar à cena. Após 19 meses de obras, o espaço será reaberto no fim de 2026, integrado a uma transformação que amplia a oferta de hospedagem, gastronomia, bem-estar e experiências ligadas à cultura brasileira.

Construído em 1948 pelo arquiteto Wladimir Alves de Souza, o edifício nasceu em um momento em que o Rio de Janeiro começava a valorizar cada vez mais a vida ao ar livre, o lazer e a praia. Com traços modernistas e referências Art Déco, sua arquitetura estabelecia um contraste deliberado com o estilo do prédio principal do hotel. A proposta original era receber hóspedes interessados em permanências mais longas.

Agora, o mesmo conceito retorna atualizado. Serão 68 suítes, todas com varanda privativa e capacidade para duas a cinco pessoas. A maioria terá sala de estar independente e algumas unidades poderão ser interligadas, numa configuração voltada sobretudo para famílias e grupos.

Entre as novidades estão seis categorias de hospedagem. Uma delas é a Carioca Suite, cobertura de dois quartos no 11º andar, com vistas para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Também haverá suítes de dois quartos com 165 metros quadrados e vista para a piscina e o mar. As diárias do novo edifício partirão de aproximadamente R$ 6.500, sem impostos.

A intervenção não se limita às suítes. Cinco andares serão dedicados ao bem-estar, com spa, academia, estúdio de Pilates e movimento, banhos de gelo, sauna infravermelha, salas de vapor e salão de beleza. A proposta acompanha uma transformação no perfil da hotelaria de luxo, na qual hospedagem deixou de significar apenas acomodação e passou a incorporar saúde, gastronomia, lazer e experiências personalizadas.

As novas imagens divulgadas pelo Copacabana Palace Hotel

ARTE E DESIGN

O projeto arquitetônico e de interiores conduzido por Ivan Rezende procura transformar a hospedagem em uma espécie de síntese do design e do artesanato brasileiros. Madeiras reaproveitadas do leito de rios, pedras de diferentes regiões do país, marchetaria e móveis associados ao modernismo brasileiro estarão presentes nos ambientes.

A arte também ocupa papel central. O artista popular Ciro Fernandes assina xilogravuras e ilustrações inspiradas na fauna e na flora brasileiras, enquanto o mestre da marchetaria Maqueson Pereira da Silva criou cenas amazônicas a partir de madeira reaproveitada, preservando as cores naturais do material. Até os tapetes seguem a mesma narrativa: produzidos a partir de imagens de satélite do Acre, reproduzem os meandros do Rio Juruá e os diferentes tons da floresta.

A experiência brasileira se estenderá ainda para além da hospedagem. Uma nova boutique será dedicada exclusivamente ao artesanato nacional, reunindo nomes consagrados e representantes de uma geração mais recente de criadores. As peças poderão ser adquiridas pelos visitantes, transformando a lembrança da passagem pelo hotel em uma extensão concreta da experiência cultural.

Arte e design são destaques na renovação do Edifício Piscina

GASTRONOMIA

Ao redor da piscina, a oferta gastronômica também ganha novos endereços. O Bar do Copa será o primeiro bar exclusivo do hotel, com um balcão de quase dez metros e comando do chefe de bar Stephano Giglio. A proposta é valorizar a coquetelaria brasileira, com clássicos como caipirinha e Rabo de Galo, além de uma programação que prevê apresentações de bossa nova e eventos para hóspedes, visitantes e cariocas.

Outro novo espaço será um restaurante italiano contemporâneo dedicado às tradições do sul da Itália, sob o comando do chef executivo Nello Cassese. A novidade se soma à Pérgula e ao MEE, restaurante pan-asiático que mantém uma estrela Michelin, formando um novo polo gastronômico em torno da piscina.

Bar do Copa, no Copacabana Palace Hotel (Imagem: Belmond/Divulgação)

COPACABANA PALACE

A reabertura do Edifício Piscina também representa uma continuidade na história arquitetônica do Copacabana Palace. Inaugurado em 1923 por iniciativa do então presidente Epitácio Pessoa, o hotel foi financiado pelo empresário Octávio Guinle e projetado pelo francês Joseph Gire, que buscou referências em hotéis europeus como o Negresco, em Nice, e o Carlton, em Cannes.

Ao longo de um século, o endereço se consolidou como um dos símbolos da hotelaria brasileira e recebeu personalidades de diferentes épocas, de Albert Einstein e Josephine Baker a Brigitte Bardot e Ella Fitzgerald. Mais recentemente, nomes como Madonna, Lady Gaga e Shakira também passaram pelo hotel.

A nova intervenção, portanto, não pretende apenas recuperar um edifício histórico. Ao combinar patrimônio, arquitetura, gastronomia, bem-estar, arte e artesanato, o Copacabana Palace procura atualizar a própria ideia de luxo sem romper com aquilo que ajudou a construir sua identidade.

O desafio de um endereço centenário é justamente esse: permanecer reconhecível sem se tornar imóvel no tempo. Ao devolver o Edifício Piscina à paisagem de Copacabana, o hotel aposta em uma renovação que olha simultaneamente para sua memória e para as novas expectativas de quem chega ao Rio. O passado permanece como referência, mas deixa de ser destino final.

A arquitetura do Edifício Piscina, hotel Copacabana Palace